terça-feira, 14 de outubro de 2014

Educação por uma bolsa

Tenho lido muita bobagem por aí. Parece que período eleitoral proporciona a temperatura ideal no ambiente para a proliferação do fungo que retira um filtro de bobagens localizado entre o cérebro e a boca ou, no caso da Internet, entre o cérebro e os dedos. Mas uma das grandes que li foi que "nos meses de outubro e novembro do ano passado 96% dos estudantes da rede pública atendidos pelo Bolsa Família e acompanhados pelos estados e municípios cumpriram a frequência escolar exigida para permanência no programa". Aí eu me perguntei: Mas, o que isso quer dizer? Nada. Não tenho a intenção aqui de criticar um ou outro candidato, mas o sistema.
Eu sou e sempre serei defensora da educação pública. Não sou profissional de educação, apenas ainda resta um fio de esperança em meu coração brasileiro. Ao contrário do que todos pensam, a escola pública não é de graça. Nós pagamos com nossos impostos (que não são poucos). Agora imaginem, leitores, um exemplo. O que acontece quando você paga um plano de saúde e não é bem atendido? Você chia, reclama até babar. Se você compra um produto que não foi entregue ou apresentou algum defeito, você vai no Procon e outros órgãos de proteção. E o que nós fazemos ao perceber que a educação que nós pagamos com nossos impostos não está que qualidade? Nada! Colocamos a culpa nos ladrões dos políticos que nós colocamos lá, onde estão, nos lugares altos da política nacional. Quantos pais e mães deixam de ir em reuniões da escola dos filhos porque não têm tempo pra isso e é obrigação da escola educar seu filho.
O maior abandono das escolas públicas não vem dos governantes e sim da própria sociedade que prefere deixar  as escolas públicas nas mãos de quem não tem nenhum filho lá e pagar uma escola particular do que arregaçar as mangas e cobrar o que é de direito. Ou pior! Preferem abandonar seus filhos em uma escola que ninguém vê, nem os próprios pais. Alguém já ouviu falar em Associação de Pais e Mestres? Acho que dá pra contar nos dedos de uma mão.
Mas, o que é que a frequência dos alunos do bolsa família tem a ver com isso mesmo? A decadência de um sistema do ensino é assinada quando uma criança, no auge da sua capacidade criativa e intelectual vai à escola para garantir R$ 70,00 (ou qualquer valor) para não faltar alimento em casa. É quando um aluno vai à escola porque não tem nada pra comer em casa e na escola é servida  a "merenda". Não sou especialista na mente humana, mas há uma grande chance de que estes pequeninos sejam alienados e vão crescer sempre esperando uma recompensa para fazer algo em sua vida. Definitivamente, frequência na sala de aula não representa ensino de qualidade. Neste caso, a frequência dos pais é muito mais importante que a dos alunos.

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